Há diretores de cinema comuns e os “Cults”, que têm marca própria, estilo indefectível e público cativo – mesmo quando erram na mão e fazem filmes medianos. Quando isso acontece, até mesmo os críticos são benevolentes, pois há nomes que são “sagrados”, como Woody Allen, Almodóvar, Kurosawa, Bergman. Com incomum mega-lançamento publicitário para um diretor “Cult”,“Bastardos Inglórios”, do festejado Quentin Tarantino, está levando ao cinema gente nova que talvez estranhe a estrutura narrativa lenta e não saiba nada da cinebiografia do diretor, cheia de obras que satirizam a violência – mostrada sempre de forma exageradamente realista. “Bastardos Inglórios” tem a assinatura inconfundível de Tarantino, com divisões do filme em partes, com direto a títulos e subtítulos; trilha sonora e montagem que parecem homenagear Sérgio Leone e o Western-Spaguetti dos anos 70, com muitos diálogos que culminam sempre em violência. Brad Pitt é o nome principal do filme, que tem como maior mérito quebrar o paradigma de se mostrar sempre os alemães como vilões nos filmes de Hollywood. Aqui, os soldados aliados são tão (ou mais) cruéis e sádicos que os nazistas. Não se trata de uma obra que queira retratar com fidelidade a época em que é passada a história. Esta é só um pretexto para um exercício cinematográfico do inquieto diretor. Com fotografia deslumbrante e longos 153 minutos — o que faz com que muita gente se levante para esvaziar suas bexigas – “Bastardos Inglórios” é violento mas conta com a beleza de Mélanie Laurent para deleite dos espectadores masculinos. Vai ser melhor digerido pelo público mais familiarizado com o universo cheio de referências e homenagens a produções do passado e ao próprio cinema, o que é marca registrada de Tarantino. Este talvez seja o melhor acerto do diretor, desde “Pulp Fiction”, sua obra-prima.
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