A chegada a Buenos Aires à meia noite do dia 18/09/2009, mesm
o sob um frio de 10 graus, foi emocionante para mim, que depois de pouco mais de dois anos, não pisava em solo porteñho. O Voo da Varig-Gol fora tranquilo, apesar da parada em Guarulhos, pois não precisei trocar de avião e assim não me preocupei com a mala (que fica menor a cada viagem que faço). Objetivo? Passar meu aniversário na Recoleta, três dias depois. Só isso. Desta vez nada de shows de tango para turistas ou Caminito. Encontrei a cidade um pouco mais suja do que da outra vez e a presença brasileira mais visível, através de vários novos postos Petrobras.Vendo o noticiário da manhã seguinte descobri que os lixeiros estavam em greve. Também fiquei atenta ao noticiário policial, e o máximo de violência que encontrei foi o roubo em uma loja, de aparelhos de TV LCD de 32 polegadas. Nenhuma morte. Da outra vez estava empolgada e fiquei no Loi Suites Arenales, na Arenales 855, mas achei que o hotel Winton, onde me hospedei agora, apesar de padrão inferior, fica muito bem localizado: quase na esquina da Av Callao com Santa Fé, no Barrio Norte, ao lado da badalada Recoleta. O café da manhã é acompanhado do sensacional suco de laranja com casca e o inigualável doce de leite argentino. De dia foi ótimo caminhar pelas redondezas e chegar à Recoleta, mas pude constatar
o abandono da área em frente ao cemitério, com o gramado de outrora destruído. À noite, vi que vários points da night foram fechados depois da crise econômica, gripe suína ou sei lá o quê. Parti então para Palermo Soho onde encontrei a mesma gente jovem de sempre e neo-hippies vendendo traquitanas em torno da Plaza Serrano. Jantei num italiano excelente chamado La Baita, na Thames 1414, bem acompanhada por um amigo e um Norton tinto de uvas tipo Malbec. No Centro da cidade, no dia seguinte, fui à tradicionalíssima Confiteria Simo, com seus 60 anos de tradição na Maipu 455. Lá, enlouqueci em meio a doces e chocolates de todo tipo, vendid
os a peso e pesos. Caminhei pela Florida como sempre com muito brasileiro indo às compras, menos eu. Já que o dia era para ver lojas, fui bater ponto na Galerias Pacífico Shopping Mall, na mesma rua, ver os afrescos e logo depois comprar temperos na loja de departamentos que gosto, a Falabella. Já morta de andar, fui — de táxi — conhecer o novo shopping Alto Palermo, lotado de jovens e com arquitetura moderna, que privilegia a luz solar como iluminação interna. No outro dia, querendo menos agito, resolvi ir ao Cassino – que funciona num barco antigo ancorado em Puerto Madero — fazer uma fezinha nas máquinas caça-níqueis, onde mais uma vez saí no lucro, com 4 vezes o valor apostado no bolso. Infelizmente,
tenho sempre que sair logo, pois não aguento o cheiro do cigarro dos fumantes. Podia ficar rica, mas a minha rinite me expulsa de tais ambientes enfumaçados. O domingo foi de céu azul e um friozinho mais ameno, em torno de 15 graus, ótimo para uma caminhada pela feira de San Telmo, com aquelas coisas de artesãos, dançarinos de tango na rua, dezenas de lojas de antiquários e brasileiros, para variar, comprando um monte de bobagens. Exausta e precisando usar uma toillete, entrei num bar e depois do xixi, pedi uma cerveja TodoMondo – Roja, de cor e sabor bem diferente das nossas, do Brasil. Meu aniversário foi um almoço no melhor restaurante de carnes de Puerto Madero (que a cada dia fica melhor), o Cabaña Las Lilas, localizado na Av. Alicia Moreau de Justo, 516. É do um grupo brasileiro proprietário do Figueira Rubaiyat, de SP. Lá tudo é perfeito: serviço atento e com direito a sorrisos — coisa rara nos rostos dos sérios argentinos — e comida de sonho, igualzinho ao Figueira, que também serve carne argentina,
mas tem a inconveniência da conta vir em reais. À noite, andando pela larga e longa Avenida Santa Fé, parei para um doce e um expresso, como fazem os argentinos. Optei pelo excelente Pertutti, no número 2020. Se estiver com apetite e pouca grana no bolso, recomendo o Babieca, na mesma Santa Fé, no número 1898, onde servem pratos que incluem pães maravilhosos, uma taça de vinho gigante, prato principal e sobremesa, por trinta e poucos pesos. Em Buenos Aires o ato de tomar café é um ritual como em Paris. Você fica o tempo que quiser em frente à sua xícara e o garçom só vem se você chamar. Pode ler um jornal inteiro se quiser. Homens e mulheres comem doces e sorvetes o tempo todo e na rua não consegui ver obesos. Falando de sorvetes, é difícil escolher o melhor hellado, mas
os principais são do Volta e do Freddo. Na véspera da volta ao Brasil, à noite, percebi que realmente estava na Argentina: centenas de pessoas tomaram a rua e fizeram um panelaço – manifestação com tampas de panelas sendo batidas umas com as outras com direito a bandeiras de partidos políticos, canto de hinos cívicos, etc. Quanto aos cuidados com a gripe suína, o Brasil parece estar levando o seu combate muito mais a sério do que nossos hermanos. Enquanto na volta tivemos o avião dedetizado com um spray e um formulário brasileiro preenchido e recolhido no aeroporto, na ida, o formulário argentino do Ministerio de Salud sequer foi recolhido. Voltei para casa com ele.
